segunda-feira, 25 de maio de 2015

Entrevista com a professora Luciana

A Entrevista com a professora de libras, Luciana Martins, descreve a trajetória do seu trabalho com alunos surdos, fazendo com que reflitam sobre a superação de suas dificuldades; o enfrentamento dos preconceitos sociais e educacionais e a importância do reconhecimento da família no processo de desenvolvimento deles.

P - Quantos anos você trabalha com alunos de inclusão?
R: Trabalho há 7 anos profissionalmente

P - Qual foi seu maior desafio com crianças no início do seu trabalho ao se deparar com alunos com deficiência auditiva?
R: O maior desafio diz respeito sempre à família, pois muitas vezes os pais não conseguem aceitar o filho surdo e isso reflete muito no dia a dia da criança na escola.

P - Você trabalha com outros alunos com outro tipo de deficiência? Qual?
R: Não.

P - Qual foi a maior dificuldade que você enfrentou ou que vem enfrentando?
R: Minha maior dificuldade são os alunos que não conseguem se aceitar como surdos e que se recusam a utilizar Libras.

P - Sua formação como professora bastou para lidar com os alunos deficientes?
R: Não. Tenho que estar me aprimorando sempre, até porque lido com alunos de Ensino Fundamental I e Médio.

P – Você acha que o prédio escolar está adaptado e aparelhado a todos os tipos de deficiência?
R: Não.

P - Você trabalha com alunos com mobilidade reduzida?
R: Não.[

P - Como você avalia o seu trabalho no relacionamento entre os alunos deficientes e as demais crianças?
R: Excelente. Eu sempre procuro deixar um alfabeto de Libras na sala e nos primeiros dias de aula (socialização). Procuro falar um pouco da surdez e de como o surdo está inserido na nossa sociedade, peço para que os surdos deem sinal (batismo) para cada aluno. O mais interessante e ver os alunos ouvintes virem até os surdos e tentar a comunicação.

Professora Luciana Martins
Professora de Libras do ensino fundamental e médio. Descreve sua trajetória num trabalho voltado também para a superação das dificuldades de seus alunos e o reconhecimento deles junto à família, à escola e à sociedade.



Meus amigos diferentes são especiais

Esta seção mostra declarações de crianças entre 8 a 10 anos de idade, estudantes de uma escola particular que possui crianças que são atendidas pela educação inclusiva.   Perguntamos  a  três  crianças: "Por que  o  seu  amigo  especial   é   diferente ?" Então, obtivemos relatos comoventes.


Renata e Giovanna


Giovanna e Renata eram amigas desde 2005 na 6ª série.  Giovanna sofreu um acidente num final de semana e ficou paraplégica. Passado uns meses retornou para escola em cadeira de rodas. A Renata e seus amigos não fizeram nenhuma discriminação. Elas gostavam muito de jogar tênis de mesa e se divertiam bastante.Embora a gravidade do acidente e de tê-la deixado cadeirante, a amizade, o carinho de suas amigas, da escola, fez com que ela superasse suas dificuldades. Hoje Giovanna dirige e cursa faculdade se adaptando cada vez mais com sua situação. Esta história real(nomes fictícios)nos mostra como a inclusão é importante no contexto escolar, familiar e social.  



Luciano e Fernanda


Luciano conta que quando sua amiga Fernanda, entrou na escola, ficou muito assustado, pois não sabia como ia ficar amigo dela sendo ela cega. Mas, depois de algum tempo, viu que Fernanda que era muita extrovertida, mostrou-se amiga e Luciano aproximou-se cada vez mais, viu que tinha material especial para ela, que ele nunca tinha visto, livro em braile.  Luciano percebendo que Fernanda gostava de bola, pediu ajuda para a professora que o orientou para colocar guizos na bola. E assim, ela ouviria o som do guizo e eles poderiam brincar. Nasceu aí uma grande amizade que já dura 03 anos. 



  

Lucas e Daniela



Lucas amigo de Daniela que é uma menina surda que quando entrou na escola tinha muita dificuldade de interagir com as outras crianças. Estava ainda aprendendo Libras. Lucas pediu à professora tradutora, muito interessada em promover a interação entre as crianças, para participar das aulas de Libras e conversar Daniela. Com esta atitude Daniela começou a participar mais nos estudos e das brincadeiras com outras crianças.  





Historia de Evandro



Evandro Telles de Oliveira Filho, 30 anos, natural de São Paulo é um rapaz surdo que lê os lábios e conversa naturalmente.
            Nasceu surdo, mas sua mãe não aceitou a condição convencional, ou seja, a aprendizagem de Libras. E com muita perseverança ensinou-o a falar e ler os lábios. Já habituado a ler os lábios, muitos médicos não acreditavam na sua surdes total, mas os exames específicos assim o classificavam. Apesar da rebeldia de Evandro devido à insistência de sua mãe em ensiná-lo a leitura labial e também na sonorização correta das palavras, ele chegou, mesmo sem aprender Libras, a prosseguir nos estudos e hoje está formado em educação física.
            Quando estava quase terminando a faculdade um de seus professores não acreditando na sua surdez total, dava aula de costas, não deixando que ele lesse seus lábios. Esta condição foi comum durante toda a sua vida escolar.  A indiferença deste professor levou-o a cumprir DP, porém com outro professor, o qual lhe deu a devida atenção conseguiu sua aprovação.
            Atualmente Evandro aprendeu e tem domínio em Libras e repassa esse conhecimento para seus alunos surdos que precisam se comunicar.


Além disso, Evandro dá aulas de educação física, aulas de ginásticas laboral em empresas, formou uma família e tem uma vida feliz.